Uma vez me disseram que maturidade espiritual é quando você reconhece que errou. Essa maturidade que tanto ansiamos, mas que quase nunca encontramos é mesmo muito confusa, por que daqui do ângulo de quem muito erra eu tenho a impressão de que não é suficiente reconhecer o erro se não vai fazer nada com isso.

Melhor mesmo, na minha opinião, é permanecer cego pelas lentes cor de rosa da ilusão do que permanecer no erro, tendo a convicção dele. Reconhecer que errou e não fazer nada, só é nobre por que já é de bom alvitre não jogar no colo do outro aquilo que te pertence. Entretanto, digno mesmo, é amarrar num saco e arrastar nas costas o peso que é seu.

Estar em paz é muito mais caro e raro do que seguir preso às feridas que cicatrizam e abrem, cicatrizam e abrem. Por que quando somos mais seletivos ao que iremos deixar dentro de nós, parece que fica tudo como um guarda roupa depois de uma faxina: organizado.

A gente olha tanto para dentro de nós, que tudo que fazemos é presunçosamente petulante esperando algo em troca, o famoso retorno. Mas, quando começamos a olhar à nossa volta, é que conseguimos compreender a dor do outro, projetando-a. Só assim, entenderemos que ser o motivo dela é muito mais doloroso.

Não precisamos ir de um lado para o outro em busca do sossego interior, precisamos mesmo é abrir mão daquilo que não precisamos, mas achamos que sim. Precisamos deixar de ouvir falsas promessas e eliminar as pessoas que nos desestabilizam emocionalmente.

Para mim, maturidade espiritual é quando reconhecemos que somos capazes, dentro da possibilidade, de nos redimir. Se não, que nos afastemos ou afastemos o erro. E fazendo isso silenciosamente, não sejam necessárias agressões nem a ninguém, nem a nós mesmos.

Pois, mais importante que reconhecer o erro é a capacidade de não interferir e seguir enfrentando os conflitos com nitidez e resiliência.

Bel Dantas

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