Sou de uma geração em que a mulher que foi educada para não verbalizar os sentimentos e vontades. Que a opinião da sociedade era mais importante que a satisfação pessoal, mais ainda que o equilíbrio interior. Uma geração, que se não encontrou o momento certo de gritar, lida até hoje, com vários conflitos emocionais.

Fomos levadas a acreditar que existiam certos comportamentos que se repetidos, gerariam sempre o mesmo resultado e ao invés de relacionamentos maduros e ricos em diálogos, vi ao longo desses anos os comportamentos emocionais muito mais parecidos com joguinhos amorosos e de conquista.

Entretanto, o mundo mudou, as mulheres mudaram e hoje o que vejo são mulheres que não passam uma semana esperando as respostas de um homem no qual depositou expectativas, por que ela sente preparada para dizer o que quer e até onde pode ir, inclusive tomando a iniciativa de começar.

Isso gera no sexo oposto um sentimento de incapacidade ou de confusão por não saber como se comportar diante dessa NOVA MULHER, que é moralmente inquestionável, dona de sua independência financeira e emocional e que por esse motivo, expõe o que pensa e deseja e mais que isso, que faz o que deseja.

Creio que seja principalmente, porque o homem deixou de ser o protagonista do início, meio e fim dos relacionamentos. Historicamente a mulher sempre foi comandada pelo homem e educada para ser resiliente, por isso, ele ainda almeja aquela mulher que tem o ruído do seu mundo feito de silêncios.

Infelizmente para eles, além de ser diferente e única, uma mulher forte é também intimidadora. Ela pode desistir pela simples percepção de que faz parte de um jogo de atos medidos. Porque simplesmente não quer desperdiçar seu tempo perseguindo uma pessoa, principalmente se perceber que essa pessoa não tem tempo para gastar com ela.

Esconder emoções é outra atitude equivocada, porque ela é aberta para falar e ouvir e de forma madura, chegar a uma resposta que estabeleça a paz dentro de cada um. A conectividade que tem com suas próprias emoções e com o mundo não a permite estar com uma pessoa que não é capaz de conhecê-la, de se conhecer e acima de tudo, de ser altruísta.

Também não funciona desprezar uma mulher que está dia a dia construindo e fortalecendo sua autoestima. Ela sabe respeitar e principalmente se respeitar. E se o homem deixá-la ir, repetindo os joguinhos estabelecidos historicamente, ela não fará nenhum drama e simplesmente vai, sem rastejar ou implorar. Porque ela não só se entende, como também é capaz de respeitar a decisão do outro.

Essas mulheres incríveis são mais do que muitos homens entendam e mereçam, por isso, eles acabam as perdendo e perceberão dali em diante que serão perseguidos pela lembrança de uma pessoa inesquecível e dos bons momentos vividos com ela, além da perspectiva do que poderiam ter vivido.

Por isso, para amar uma mulher forte e ser amado e respeitado por ela, é necessário um homem igualmente forte que se conheça, que não precise ficar se provando que está no comando ou que é o dono da relação. Porque o que ela quer é somar e não gastar sua energia com “brinquedos de proteção”.

Bel Dantas

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